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13 de Maio de 2021

Advogado: é por isso que você não alcança seus objetivos

Um ensaio sobre indecisões e a arte de titubear

Julian Henrique Dias Rodrigues, Advogado
há 2 meses

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De repente você se revolta com o exercício da advocacia no Brasil e começa a pensar em advogar noutro país.

Rápida pesquisa no Google lhe informa que é possível ser advogado em Portugal sem realizar novo estágio ou validar o diploma. Você toma então uma arrojada decisão: estudar o direito português e migrar para Portugal.

Adquire alguns cursos, faz download da legislação portuguesa e, radiante, passa a se dedicar diariamente ao novo desafio.

Eis que você encontra grupos de advogados brasileiros em Portugal no facebook e - para sua surpresa - lê uma série de lamúrias e decepções pessoais. "Não há mercado para brasileiros em Portugal" e "aqui estão todos largando a advocacia e migrando para o UBER" são as mais belas frases de encorajamento que ali estão.

Um pouco desanimado você segue nos estudos, mas recebe no instagram a notificação para uma badalada "live" com uma advogada brasileira que atua nos Estados Unidos.

Curioso que é, assiste a "live" e se impressiona com o colar de ouro da colega. Descobre então que o caminho para advogar na terra de Joe Biden é longo, mas plenamente possível.

Uma semana depois os seus estudos de direito português começam a ficar de lado, e agora sim você está decidido: "vou estudar o sistema jurídico americano, aprimorar meu inglês e ser feliz em Nova York".

Animado você chama um velho amigo de faculdade para um chopp e nos primeiros minutos de papo ele lhe faz uma confissão: "estou milionário, mas não conte pra ninguém". Você então fica sabendo que seu amigo abriu um escritório simples em frente ao INSS e construiu uma fortuna com ações previdenciárias.

Um mês depois você conclui que o grande nicho de atuação é mesmo o direito previdenciário, e aos poucos seus livros de inglês jurídico ganham como adorno uma densa capa de poeira.

Hora de se increver numa pós-graduação em direito previdenciário (e tudo bem morar no Brasil por mais algumas décadas) para desbravar os rincões tupiniquins em busca de ações contra o INSS!

Sejamos francos: você pode ter uma carreira de sucesso (sejá lá o que isso signifique pra você) sendo advogado em Portugal, nos Estados Unidos ou nos rincões brasileiros.

Porém não conseguirá atingir seus objetivos enquanto não dedicar tempo e esforços ao processo de análise e decisão quanto aos rumos da sua carreira, no que se inclui não apenas um exame objetivo da área ou nicho a seguir, mas também aspectos subjetivos ligados aos seus objetivos de vida.

Todos conhecemos alguém que já anunciou aos ventos que estava largando a advocacia para estudar para concursos e meses depois voltou com todo gás para a... advocacia.

Seja dita a verdade: temos o péssimo hábito de sentir que estamos perdendo tempo ao maturar nossas ideias visando chegar a uma decisão quanto ao rumo das nossas carreiras. E num mundo cada vez mais frenético, somos tomados pela pressa de partir para o campo.

Surgem assim as decisões afoitas e emocionais. Que não são de fato decisões: estão sempre à espera de um novo dilema.

Certamente você já ouviu aquele velho ditado chinês: "se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo afiando o machado".

Encare o processo de decisão como a etapa primordial do seu planejamento, que como tal demanda tempo, objetividade e racionalidade, para que ao implementá-la você resista à tentação de olhar para os lados e sair do caminho.

Quando adquirimos essa consicência passamos a nos questionar se cada ato do nosso cotidiano está nos conduzindo ao nosso objetivo.

Os outros caminhos tornam-se desinteressantes, e na eventualidade de termos que mudar de rumos, o fazemos sem grandes frustrações, cientes de que a decisão inicial foi tomada de forma séria e esclarecida.

Mesmo a mudança total de rumos (leia-se, abandonar a advocacia) tende a ser menos dramática nessas circunstâncias.

Talvez seja esta uma boa maneira de evitar desvios, retrocessos e vaivéns nas nossas carreiras.

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